EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA - Cotidiano e Religiosidade no Tempo dos Faraós

Ao longo dos anos o Museu de Arqueologia tem realizado uma série de exposições temporárias. A mais recente delas encontra-se em cartaz desde o dia 22 de setembro no Museu Histórico Emílio da Silva, no município de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.


Fragmento de uma cabeça monumental do faraó Akhenaton com a cidade de Jaraguá ao fundo. A original encontra-se no Museu de Luxor, no Egito.

O principal objetivo desta exposição, que conto
u com o apoio do Pronaos Jaraguá do Sul, da AMORC, e da Secretaria de Cultura do Município, foi trazer ao grande público a história dos antigos egípcios, vista por meio do “Cotidiano e Religiosidade no Tempo dos Faraós” – título da exposição.


Vista de parte da sala de exposições temporárias do Museu Histórico Emílio da Silva, com a disposição das peças do Museu de Arqueologia.

Cento e oito peças que estavam guardadas na reserva técnica do museu foram levadas de Ponta Grossa para Jaraguá do Sul, e permanecerão expostas até o mês de novembro. É uma boa oportunidade para os visitantes fazerem uma visita e conhecerem de perto as múmias dos faraós Séti I e Ramsés II, dois dos maiores governantes egípcios do Reino Novo (c. 1550-1070 a.C.), cujas replicas estão sendo expostas juntas pela prime
ira vez. Os visitantes da mostra também poderão apreciar ataúdes, estátuas de deuses e de indivíduos comuns, objetos de uso cotidiano, jóias e inúmeros quadros com cenas do Livro dos Mortos, pintadas sobre papiro.


Aproximadamente oitenta visitantes presenciaram a abertura da exposição em Jaraguá do Sul.


Na abertura da exposição realizamos uma palestra, intitulada “Costumes funerários dos antigos egípcios”, para um público de aproximadamente oitenta convidados, que foram, na sequência, conferir a mostra.

VISITAS DOS ENSINOS FUNDAMENTAL E MÉDIO

Durante os meses de abril e maio, centenas de estudantes dos ensinos fundamental e médio da cidade de Ponta Grossa e região realizaram visitas monitoradas no Museu de Arqueologia. Recentemente foi instalado um sistema de som, cuja gravação permite um claro acompanhamento de todo roteiro expositivo. Este novo sistema também facilitou a observação da mostra permanente pelos demais visitantes do museu, que anteriormente não eram contemplados com explicações, pois estas eram direcionadas apenas para grupos.


O Colégio Sagrado Coração de Jesus divulgou sua visita ao Museu de Arqueologia na página: http://novoportal.ascj.com.br/ciesc/uni_noticia.php?etp_id=NDC&nnot_id=7935

PROJETO TOTH DE EDUCAÇÃO E CULTURA

O Museu de Arqueologia possui um projeto de Educação Patrimonial denominado Toth. Tal nome é uma homenagem a uma antiga divindade egípcia que ensinou a escrita, as ciências, e a cultura para os antigos egípcios. Seguindo os ideais e tarefas efetuadas pelo mítico Toth, temos aqui como objetivo principal contribuir no aprimoramento da educação e da cultura da cidade de Ponta Grossa e demais regiões dos Campos Gerais.

Dentre demais objetivos destacamos:
- Desenvolver nos alunos a valorização e a necessidade de se conhecer o passado, despertando a consciência para a preservação do patrimônio, a fim de entender o presente;
- Incentivar hábitos de pesquisa;
- Despertar o interesse pela leitura por meio dos diversos objetos expostos;
- Incentivar os alunos a se expressarem pelas atividades artísticas;
- Levar aos alunos dos ensinos médio e fundamental conhecimentos produzido por especialistas, em diversos aspectos da antiga civilização egípcia, tais como: arte, história, arqueologia, religião e vida cotidiana;
- Divulgar pesquisas recentes em Egiptologia, realizadas no Brasil.


Desde a sua abertura em abril de 2001, o museu recebeu milhares de visitantes cumprindo assim, o seu papel de difusor cultural. Notadamente o público é composto por estudantes, mas o museu recebe também muitos turistas que visitam a cidade de Ponta Grossa.

A II Exposição Permanente: Egito Antigo Vida e Imortalidade


Essa pequena mostra é um tributo ao passado de uma grandiosa civilização, que deixou uma notável contribuição cultural para a humanidade. A segunda exposição permanente da Galeria de Egiptologia, do Museu de Arqueologia, apresenta diversos aspectos histórico-culturais, e enfatiza o cotidiano, a sociedade e a religiosidade do povo egípcio.

PRIMEIRA SALA


Nessa sala estão presentes objetos do Período Pré-dinástico (c. 5000 a 3100 a.C.), fase que antecede a descoberta da escrita e mostra o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Na seqüência são mostrados através de diversos artefatos do período histórico (Reinos: Antigo, c. 2575-2134 a.C.; Médio, c. 2040-1640 a.C.; e Novo, c. 1550-1070 a.C.), bem como quadros, o cotidiano do povo egípcio, do camponês ao faraó. Nesse recinto também são enfocados a casa e o seu mobiliário, a partir de objetos de uso diário.


SEGUNDA SALA


Na segunda sala são enfocadas a religião oficial e a religião funerária. Os diversos objetos expostos, datados do Reino Antigo (c. 2575-2134 a.C.) até a Época Greco-Romana (c. 332 a.C. até 395 d.C.), refletem a preocupação dos egípcios com a vida após a morte e a eternidade. São apresentadas múmias e objetos de uso funerário, tais como: estelas, ushabtis, amuletos, ataúdes, vasos canópicos, fragmentos de relevos e pinturas, entre outros. Em uma segunda parte, a religião oficial é mostrada através dos quadros e das diversas estatuetas de divindades expostas. Merecem destaque também, as réplicas de peças descobertas na tumba do faraó Tutankhamon.

SOBRE O ACERVO:

Atualmente o acervo do Museu de Arqueologia reúne mais de 1200 artefatos, majoritariamente são réplicas e fac-símiles, em sua maioria produzidas pelo Prof. Moacir E. Santos e também com contribuições do artista Eduardo Vilela, mas há também inúmeras peças autênticas, tais como as pertencentes a coleção etnográfica brasileira. As réplicas são reproduções de obras de arte espalhadas por diversos museus do exterior, tais como o Museu Egípcio do Cairo, o Museu Britânico de Londres, o Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque, o Museu de Antropologia da Cidade do México, o Museu Larco de Lima, entre muitos outros. A maioria das réplicas foi confeccionada a partir de fotografias, obtidas em livros especializados ou em museus onde se encontram os originais. É um trabalho demorado, que dependendo das proporções da peça, pode levar alguns meses. Para fazer uma réplica são utilizados vários materiais, tais como: argila, borracha de silicone, resina de poliéster, fibra de vidro, gesso, madeira e papelão. Na imagem há uma exemplo do trabalho de confecção de uma estatueta funerária em argila, produzida com base nas fotografias da original.

Esta outra réplica também foi produzida a partir de fotografias. Trata-se de de um relevo da família real de Amarna (o faraó Akhenaton, a rainha Nefertiti e a princesa mais velha) ofertando víveres sob os raios do Deus-sol, Aton. A original é datada de 1350 a.C., e atualmente encontra-se no Museu do Cairo.

Direferentemente das réplicas que são produzidas livremente mas respeitando o modelo, os fac-símiles são reproduções exatas dos objetos originais, pois são moldados a partir dos mesmos. Os fác-símiles pertencentes ao Museu de Arqueologia foram produzidos a partir de artefatos, esqueletos humanos e ossos de animais pré-históricos descobertos em diversos sítios arqueológicos brasileiros, notadamente nos estados da Bahia, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Para exemplificar como são obtidos os fac-símiles, eis uma de muitas histórias que incluem descobertas arqueológicas e técnicas de arte. Durante os trabalhos de um salvamento arqueológico realizado em 2001, devido a construção de uma obra de engenharia na área do município de Serra do Ramalho, BA, próximo ao rio São Francisco, localizamos um grande cemitério pré-histórico. Os diversos esqueletos encontrados no quintal de uma casa rural foram resgatados, por meio de uma escavação, que levou meses. Mas o que mais chamou a atenção dos pesquisadores presentes foi justamente um esqueleto encontrado numa estrada. Como o mesmo se encontrava ameaçado pelo fluxo de carros e carroças, os restos foram escavados e registrados em detalhe, com fotografias e desenhos.

Posteriormente, com a remoção do enterramento no próprio bloco, o esqueleto foi enviado para um laboratório no Rio de Janeiro, onde foi escavado. Como os ossos encontravam-se fragilizados, optou-se pela consolidação dos mesmos. Deste modo cada um dos fragmentos poderia ser retirado do bloco com segurança. Mas antes da escavação ter sido completada, o tamanho e o estado de conservação do esqueleto suscitou a possibilidade da realização de um fac-símile para uma exposição de Educação Patrimonial que estava programada ao final do projeto que, na época, ainda estava em andamento na Bahia. Tal cópia tornou-se importante, pois substituiria o enterramento original que não poderia ser transportado por muitos municípios. Assim, foi realizado um trabalho de moldagem do bloco e a partir do mesmo uma peça de resina e fibra de vidro. Com o acabamento e a pintura, empregando o sedimento do próprio local, foi obtida uma copia exata do enterramento preservando o original para estudos. O fac-símile produzido em 2002 encontra-se no acervo da empresa que coordenou os trabalhos na Bahia, mas uma segunda cópia foi especialmente produzida para o acervo do museu, em Ponta Grossa. A peça já foi exposta uma vez, durante uma mostra organizada pelo Museu de Arqueologia na sala de exposições temporárias do Museu Egípcio e Rosacruz, em 2004.